sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O tempo

Último dia do ano e pessoas fazendo resoluções para o próximo ano, repensando e fazendo um balanço desse ano que passou...
Por falar em tempo, na casa da minha avó foi encontrada uma foto da minha mãe, nos idos de 1965 que fez sucesso, principalmente para ela mesma, que ficou toda metida, mostrando para todo mundo como ela era bonita. Tanto é que ganhou o apelido de Miss São Bernardo de 1965. UHAHUAHUAHUHAUahuhuahuahuUHAHUUAHAHUAHU




ps: a postagem era só para divulgar a foto antiga da minha mãe.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Registro

Festas de final de ano, "férias" e (parte d)a família reunida.

"Vida simples, vida boa, vida sem preocupação"
Para o Mundo - Carlinhos Zodi


















sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O semeador (de estrelas)



Essa estátua está localizada em Kaunas, na Lituânia. A estátua originalmente chama-se apenas O Semeador, e retrata um fazendeiro.




Porém, de noite, aquelas estrelas pintadas no muro atrás da estátua ganham sentido.
As estrelas são um grafitti, feito por um artista chamado Morfai, que deu um novo sentido à estátua: a de um semeador de estrelas.

Aí vai o blog do artista, para quem curte arte de rua e criatividade: (http://morfai.blogspot.com/)

domingo, 5 de dezembro de 2010

Diga lá, diga aí, você já foi até o Rio, nego? Não? Tem que ir!" Lá e cá - Lenine


Praia Vermelha na Urca (RJ).


Copacabana - RJ


Parque Garota de Ipanema - RJ


Jardim Botânico - RJ


Arpoador - " Quero deitar na tua escama / Teu colo confessionário / De cima da pedra não se fala em horário ..."

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O Homem da cabeça de papelão

Li a história em quadrinho abaixo e a reescrevo para reflexão:

O Homem da cabeça de papelão - de Allan Sieber
Uma adaptação de Dentro da Noite e a Alma Encantadora das Ruas, de João do Rio


"No país que chamavam de Sol, apesar de chover às vezes semanas inteiras, vivia um homem de nome Antenor. Não era príncipe, nem deputado, nem rico, nem jornalista, absolutamente sem importância social. O país do sol era o mais comum, o menos surpreendente em ideias e práticas. Os habitantes afluiam todos para a capital, e tomavam todos os lugares dos que, por desventura, eram da capital.
Havia milhares de automóveis pelas artérias matando gente para matar o tempo, cabarés, jornais, a bolsa, a moda e um aborrecimento integral. Enfim, tudo quanto uma cidade de fantasia pode almejar. E o povo que habitava se julgava possuidor de bom senso. Bom senso! Se não fosse a capital do país do sol, a cidade seria a capital do bom senso!
Precisamente por isso, Antenor era exceção malvista. Esse rapaz, filho de boa família (tão boa que tinha até sentimentos), agira sempre em desacordo com a norma dos seus concidadãos. Desde menino, a sua mãe descobriu-lhe um defeito horrível. Antenor só dizia a verdade, não a sua verdade, a verdade útil, mas a verdade verdadeira. Alarmada, a digna senhora pensou em tomar providências. Foi lhe impossível. Antenor era diverso no modo de comer, na maneira de vestir, no jeito de andar. Enquanto usava calções, os amigos da família consideravam-no um enfant terrible, por que no país do sol, todos falavam francês com convicção, mesmo falando mal.
Entretanto, Antenor tornou-se alarmante: pensava livremente. Assim, os mestres indagavam-se por que ele aprendia ao contrário do que ensinavam e os amigos odiavam-no.
Uma coisa descobriu a mãe de Antenor para não ser forçada a mandá-lo embora: Antenor nada do que fazia, fazia por mal... ao contrário, era escandalosamente, incompreensivelmente bom!
Aliás, bom só para os olhos maternos. Quando Atenor resolveu arranjar trabalho para os mendigos e corria os parasitas na rua à bengala ficou provado que Antenor era apensar um doido. Doido não só para as vítimas da sua bondade, como para a esclarecida inteligência dos delegados de polícia a quem teve que explicar sua caridade. Com o fim de convencer Antenor, a família se reuniu para falar com ele. Demonstraram-lhe que a chave abre portas e a faca serve para cortar, o que é nosso é para nós e o que é dos outros também é para nós.
Antenor, mesmo diante das evidências manteve-se firme.
Antenor foi trabalhar, entretanto. E teve uma grande dificuldade para trabalhar. Atendendo ao pedido da sua mãe, passeou a sua má cabeça por várias casas de comércio, várias empresas industriais. Depois de um, dois meses estava na rua. Por que o mandavam embora? Ele não tinha exigências, era honesto, trabalhador. Até alegre, qualidade raríssima no país onde o sol, a cerveja e a inveja faziam batalhões de biliosos tristes.
Mas companheiros e patrões, dentro em pouco não o aturavam. Quando um companheiro não atura o outro, intriga-o. Quando um patrão não atura o emprego, despede-o. É a norma do país do sol.
Antenor, com fama de perigoso, não pôde em breve obter emprego algum. Mas ele ria. Aquilo era para ele brincadeira. Estava convencido estar com a razão. De vencer.
Os parentes não o cumprimentavam mais. Em todas as profissões vira os círculos estreitos das classes, a defesa hostil dos outros homens, o ódio com que o repeliam, por que ele pensava e dizia coisas diferentes.
Antenor começava a pensar na sua má cabeça, quando seu coração se apaixonou. Era uma rapariga chamada Maria Antônia. Antenor achava perfeitamente justo casar com Maria Antônia. Todos viam nisso mais uma prova do seu desajuste cerebral. Mas para o pasmo geral, a resposta de Antônia foi condicional.
- Só caso, se o senhor tomar juízo.
Como tomar juízo? Como regular a cabeça? O amor leva aos maiores desatinos. Antenor pensava em arranjar uma má cabeça, estava convencido.
Com estes pensamentos , Antenor caminhava por uma rua no centro da cidade, quando os seus olhos descobriram a tabuleta de uma "relojoaria e outros maquinismos delicados de precisão". Achou graça e entrou. Um cavalheiro grave veio servi-lo.

— Traz algum relógio?

— Trago a minha cabeça.

— Ah! Desarranjada?

— Dizem-no, pelo menos.

— Em todo o caso, há tempo?

— Desde que nasci.

— Talvez imprevisão na montagem das peças. Não lhe posso dizer nada sem observação de trinta dias e a desmontagem geral. As cabeças como os relógios para regular bem...

Antenor atalhou:

— E o senhor fica com a minha cabeça?

— Se a deixar.

— Pois aqui a tem. Conserte-a. O diabo é que eu não posso andar sem cabeça...

— Claro. Mas, enquanto a arranjo, empresto-lhe uma de papelão.

— Regula?

— É de papelão! explicou o honesto negociante. Antenor recebeu o número de sua cabeça, enfiou a de papelão, e saiu para a rua.

Dois meses depois, Antenor tinha uma porção de amigos, jogava o pôquer com o Ministro da Agricultura, ganhava uma pequena fortuna vendendo feijão bichado para os exércitos aliados. A respeitável mãe de Antenor via-o mentir, fazer mal, trapacear e ostentar tudo o que não era. Os parentes, porem, estimavam-no, e os companheiros tinham garbo em recordar o tempo em que Antenor era maluco.

Antenor não pensava. Antenor agia como os outros. Queria ganhar. Explorava, adulava, falsificava. Maria Antônia tremia de contentamento vendo Antenor com juízo. A sua ascensão só podia ser comparada à dos balões. Antenor esquecia o passado, amava a sua terra. Era o modelo da felicidade. Regulava admiravelmente.

Passaram-se assim anos. Todos os chefes políticos do País do Sol estavam na dificuldade de concordar no nome do novo senador, que fosse o expoente da norma, do bom senso. O nome de Antenor era cotado. Então Antenor passeava de automóvel pelas ruas centrais, para tomar pulso à opinião, quando os seus olhos deram na tabuleta do relojoeiro e lhe veio a memória.

— Bolas! E eu que esqueci! A minha cabeça está ali há tempo... Que acharia o relojoeiro? É capaz de tê-la vendido para o interior. Não posso ficar toda vida com uma cabeça de papelão!

Saltou. Entrou na casa do negociante. Era o mesmo que o servira.

— Há tempos deixei aqui uma cabeça.

— Não precisa dizer mais. Espero-o ansioso e admirado da sua ausência, desde que ia desmontar a sua cabeça.

— Ah! fez Antenor.

— Tem-se dado bem com a de papelão? — Assim...

— As cabeças de papelão não são más de todo. Fabricações por séries. Vendem-se muito.

— Mas a minha cabeça?

— Vou buscá-la.

Foi ao interior e trouxe um embrulho com respeitoso cuidado.

— Consertou-a?

— Não.

— Então, desarranjo grande?

O homem recuou.

— Senhor, na minha longa vida profissional jamais encontrei um aparelho igual, como perfeição, como acabamento, como precisão. Nenhuma cabeça regulará no mundo melhor do que a sua. É a placa sensível do tempo, das idéias, é o equilíbrio de todas as vibrações. O senhor não tem uma cabeça qualquer. Tem uma cabeça de exposição, uma cabeça de gênio, hors-concours.

Antenor ia entregar a cabeça de papelão. Mas conteve-se.

— Faça o obséquio de embrulhá-la.

— Não a coloca?

— Não.

— V.EX. faz bem. Quem possui uma cabeça assim não a usa todos os dias. Fatalmente dá na vista.

Mas Antenor era prudente, respeitador da harmonia social.

— Diga-me cá. Mesmo parada em casa, sem corda, numa redoma, talvez prejudique.

— Qual! V.EX. terá a primeira cabeça.

Antenor ficou seco.

— Pode ser que V., profissionalmente, tenha razão. Mas, para mim, a verdade é a dos outros, que sempre a julgaram desarranjada e não regulando bem. Cabeças e relógios querem-se conforme o clima e a moral de cada terra. Fique V. com ela. Eu continuo com a de papelão.

E, em vez de viver no País do Sol um rapaz chamado Antenor, que não conseguia ser nada tendo a cabeça mais admirável — um dos elementos mais ilustres do País do Sol foi Antenor, que conseguiu tudo com uma cabeça de papelão.